Bom, neste ano tenho uma turma de EJA, em processo de
Alfabetização (que corresponde ao Ciclo Básico ou 1ª e 2ª série) e no inicio
fiquei meio perdida pra planejar um trabalho com eles no Laboratório de Informática,
mesmo os anos de experiência com crianças não me preparou para adultos que tem
um terror terrível do computador (maior do que os que eu conhecia). E sempre tive a concepção do computador como
ferramenta de troca de comunicação e informação, mas como fazer isso com alunos
que sentem tanta dificuldade na leitura e na escrita? Que não são crianças,
portanto jogos não são tão atrativos assim, pelo contrário, os assusta.
No primeiro dia tivemos uma atividade de alfabetização no
computador, mas percebi que não deu o resultado esperado, são 21 alunos adultos,
sendo 8 inclusões, portanto ficou um
pouco chato para eles um jogo de completar palavras feito para crianças e
minhas inclusões pouco interagiam, pois são pré-silábicos em sua maioria. Sai
meio frustrada do laboratório, devo confessar.
Conversei com a Ana, que é PAPE (em SBC tem uma professora
que fica no Laboratório e dá o apoio necessário para nós professores de sala, inclusive
é muuuito bom ter essa figura) da escola que trabalho, e ela me
deu a idéia de procurarmos imagens das cidades que eles nasceram, na hora achei
ótima, é uma forma dos alunos verem uma real funcionalidade do computador e que
realmente o conhecimento produzido lá crie elo com a realidade deles.
Assistimos um curta metragem FANTÁSTICO que a Cláudia
(Agente de biblioteca da escola) havia me dado uma cópia chamado "Vida Maria" (vídeo abaixo), a
partir desse curta conversamos sobre as origens dos alunos, de onde vieram,
como vieram, quantos anos tinham... Enfim, todos contaram um pouco de sua história
e foi rico trocar isso, descobri que 3 alunas minhas se casaram com 12 anos, que
dois alunos vieram da mesma cidade e nem sabiam, que todos freqüentaram a
escola em algum momento da vida e eles se identificaram entre si, fortalecendo,
inclusive a amizade entre eles.
No dia seguinte começamos o trabalho de estudar o RG, os
alunos identificaram dados como: nome dos pais, número do RG, o seu nome, data
de nascimento e a cidade em que nasceu, inclusive a localizando (mesmo que com
ajuda) no mapa. Depois disso fizemos uma roda de conversa sobre sua origem,
como a cidade que nasceram era, como imaginam que estava agora e a proposta foi
ir ao laboratório descobrir fotos atuais da origem de cada aluno.
Fomos ao laboratório com o nome da cidade de nascimento de
cada um anotado no caderno, deu trabalho? Claro que deu... Os alunos não eram
familiarizados com o computador, tinham aversão à maquina e achavam que aquilo
não era para eles. Foi até uma questão de auto-estima.
Entramos no Google fotos e cada um digitou sua cidade de
origem (até os alunos de inclusão) e adoraram ver as fotos, alguns alunos
bateram fotos de celular do monitor do computador e contavam aos seus parceiros
como era aqui e ali, que a igreja continuava igual, mas as casas tinham mudado
um pouco e por ai foi...
Missão cumprida! O Computador já tinha funcionado como fonte
de pesquisa e servia pra alguma coisa mais legal do que joguinhos feitos pra
criança. Depois disso apenas uma ou duas alunas com idade mais avançada
continuaram com nariz torto para o computador, mas vamos continuar o trabalho.
Esse foi o primeiro passo, vou narrando o andamento da coisa
toda, sobre como trabalhar tecnologia da Informação com adultos em Alfabetização.
Agradeço de coração a Claudia e a Ana... Sem trocas nada funciona!